quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A conexão da indústria fonográfica caiu


O ministro Gilberto Gil sempre foi visionário. Desde suas épocas ao lado de um dos movimentos mais autênticos e inovadores na música mundial, o tropicalismo, ele vem aparecendo como uma mente a frente de seu tempo. Apesar da caretice de alguns momentos “sou homem sério”, pelo qual já passou Caetano Veloso, e pelo qual ficou Maria Bethânia, o ministro-músico sempre percebeu a chuva vindo antes da nuvem carregada. Mais uma vez ele prevê o tempo e se antecipa com seu guarda-chuva.

Dessa vez, esse movimento tático de Gilberto Gil terá até show de lançamento. Em São Paulo, o ministro apresenta o show “Banda Larga”, que tem esse nome pra enfatizar a idéia que o músico tem sobre a internet como ferramenta democrática e a sua posição favorável a algumas maneiras de compartilhamento de arquivos.

Sabe aquele ditado “se não pode vencê-los, junte-se a eles”? Para Gilberto Gil funcionou assim. Os vídeos, fotos e até áudios que pipocam na internet sem nenhum controle serviu como uma ferramenta de divulgação. Em eras que se fala tanto em web 2.0, 3.0 e outras coisas ponto zero, o controle deve haver em alguns pontos, mas em outros não. E a inteligência de Gilberto Gil funcionou nesse ponto. O ministro incentiva o público a bater foto, gravar em vídeo e áudio e depois disponibilizar na internet, inclusive no próprio site do cantor.

Um movimento como esse, vindo do Ministério da Cultura, sinaliza apenas que o mercado fonográfico, os artistas e os consumidores precisam rever o padrão sobre consumo de música. Parece até bobo dizer isso, mas, por incrível que pareça, ainda existem pessoas que querem segurar um elefante com um fio de cabelo. No final da década de oitenta existiu na Inglaterra uma campanha contra as pessoas que copiavam seus vinis para fita cassete e distribuíam. A indústria não venceu essa briga. Teve que se reinventar. Chegou o compact-disc e ela respirou. Da metade pro final da década de 90, a indústria se sentiu apertada novamente e tentou controlar. Burrice pura. Já tinha passado por uma experiência parecida e errou do mesmo jeito. Agora, tardiamente, pensa alternativas. Só digo uma coisa, não adianta mais.
O compartilhamento gratuito de música é um movimento inevitável e incontrolável. Algumas iniciativas aparecem como solução. Alguns álbuns estão sendo lançados no formato pen-drive, outros vêm com material extra e outros nem recebem embalagem física. A “banda larga” de Gilberto Gil é só mais um exemplo. A indústria fonográfica vai morrer. Pelo menos da maneira como a conhecemos. Isso já é fato. O que se deve pensar é o que ela vai se tornar. Os acordes precisam ser revistos e a letra deve ser outra. O texto termina aqui. Vou ouvir o disco que acabei de baixar e que deve ser lançado daqui um mês.

Um comentário:

Anônimo disse...

é, o negócio é divulgar bem as músicas para os shows lotarem, se não...