Mais de 400 alunos já foram penalizados no Colégio Evangélico Jaraguá, em Jaraguá do Sul, que, por causa disso, recebeu repercussão nacional. A cada palavra “feia”, o estudante paga multa de R$ 0,10. O assunto gerou polêmica, como era de se esperar. Deixando de lado as inúmeras teorias pedagógicas que poderiam ser referenciadas, vamos cair no clichê de apresentar os dois lados dessa moeda. Além disso, fica a pergunta: Punição ou confiança? Vale questionar a eficiência de tal método e como ele interfere no comportamento e na visão do aluno perante a sua escola.
Antes de tentar comprovar a eficiência do método usado em Jaraguá do Sul, vale contar uma pequena história sobre uma escola em Balneário Camboriú, no bairro Barra do Rio. A Escola Dona Lili tem uma interessante eficácia quanto ao cumprimento de horários. Quando chega a hora de sair para o recreio, o professor avisa e os alunos saem. Não há sinal sonoro. E pra voltar pra sala? Sem sinal sonoro, deve ser um inferno. Ao contrário. Os alunos verificam seus relógios e voltam para a sala. É claro que a medida já foi testada e é usada há algum tempo. Segundo o Colégio Evangélico Jaraguá, desde que o sistema de cobrança de multa foi implantado, o número de palavras “feias” pronunciadas diminui. Ou seja, a escola pune internamente, não ensina que é desrespeitoso ou algo assim, apenas pune. Lá fora, os pais que se virem. Nos dois casos temos a comprovação da eficácia.
Agora, com o primeiro ponto já comprovado, temos que responder a pergunta sobre o comportamento e a visão do aluno perante a escola. O estudante de Jaraguá do Sul, se cometer o erro de pronunciar um “palavrão”, sente no bolso as conseqüências. O ato da punição gera um muro invisível entre a criança e a escola, e, assim, dificulta o trabalho daquela instituição por não se identificar e nem se sentir à vontade nela. Já o aluno de Balneário Camboriú aprendeu, e esse é o papel da escola, que tem que seguir certas normas para o bom andamento das atividades. Além disso, na hora do recreio, o diretor da escola Dona Lili bate pênaltis com os alunos. Por mais que o aluno possa ficar chateado de levar um gol do diretor, a relação entre ele e a escola fica muito mais estreita e, por isso mesmo, facilita o aprendizado.
A escola moderna não pode trabalhar com o fator “medo”. A escola deve aprender a ensinar pelo mesmo caminho que se cria uma amizade, ou seja, criando laços de confiança. Dessa maneira, os dois lados da moeda ganham. A escola ganha um aluno que se identifica com a instituição e facilita o contato e o aprendizado, e o aluno ganha uma escola que ouve, o que tiver que ouvir, e que vai buscar, através da confiança, ensiná-lo.